Mostrar mensagens com a etiqueta Sofia de Melo Breyner Andresen (1919-2004). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sofia de Melo Breyner Andresen (1919-2004). Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

As pessoas sensíveis


As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão"

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.

Sophia de Mello Breyner Andresen


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Agosto - II

Edward Henry Potthast - Na praia


Fundo do mar

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.

Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Quinteto Lisboa

João Gil em mais uma experiência musical. Muito boa!



Músicas de João Gil. "O Silêncio" é um poema de Sophia e "Atrás dos meus cortinados" tem letra de Joã Monge.
O Quinteto Lisboa vai atuar  no dia 7 na Culturgest e vamos lá estar.