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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Noite apressada


Era uma noite apressada
depois de um dia tão lento.
Era uma rosa encarnada
aberta nesse momento.
Era uma boca fechada
sob a mordaça de um lenço.
Era afinal quase nada,
e tudo parecia imenso!

Imensa, a casa perdida
no meio do vendaval;
imensa, a linha da vida
no seu desenho mortal;
imensa, na despedida,
a certeza do final.

Era uma haste inclinada
sob o capricho do vento.
Era a minh'alma, dobrada,
dentro do teu pensamento.
Era uma igreja assaltada,
mas que cheirava a incenso.
Era afinal quase nada,
e tudo parecia imenso!

Imensa, a luz proibida
no centro da catedral;
imensa, a voz diluída
além do bem e do mal;
imensa, por toda a vida,
uma descrença total!


David Mourão-Ferreira

D.M.-F. também nasceu a 24 de fevereiro, mas de 1927.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Alain Oulman na Cinemateca

Fomos todos - sugestão dos meus pais - à Cinemateca ver o documentário Com que Voz (2009), de Nicholas Oulman sobre o seu pai, Alain Oulman, um homem multifacetado: foi editor da Calmann-Lévy e foi compositor. Nesta sua faceta fez uma parceria invejável com Amália Rodrigues.
Foi ele o responsável por Amália ter cantado poetas como Luís de Camões, Alexandre O’Neill, Pedro Homem de Melo ou David Mourão-Ferreira. O documentário debruça-se ainda sobre o modo como Alain Oulman foi perseguido pelo regime salazarista, obrigando-o a exilar-se em França.
E depois fomos ao melhor bitoque de Lisboa:
http://oamigodecolares.blogspot.com/2011/10/o-melhor-bitoque-de-lisboa.html

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A nossa VOZ

Como se aproxima o dia em que a UNESCO escolherá (esperemos que o faça) o fado como Património Imaterial da Humanidade, vou postar uns fados e uns/umas fadistas: a minha selecção. E, como não podia deixar de ser, a primeira é a AMÁLIA.