quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Infância


Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
– Psiu… Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro… que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

domingo, 8 de setembro de 2019

sábado, 7 de setembro de 2019

Rota do vinho Colli del Trasimeno

À volta do lago Trasimeno há uma rota para se conhecerem os vários vinhos Colli de Trasimeno. Seguindo essa rota podemos usufruir de uma natureza protegida.



quarta-feira, 4 de setembro de 2019

domingo, 1 de setembro de 2019

Assis

Panorâmica da Basílica de São Francisco de Assis, na Umbria
Deslumbrante! Com frescos de Giotto.

Giotto - A libertação do herético

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

A ver...


«O filme é baseado nas recordações de juventude do jornalista e documentarista Sarfraz Manzoor, fanático de Bruce Springsteen, e que se chama aqui Javed, interpretado por Viveik Kalra. Estamos em Luton, na década de 80. Javed frequenta o liceu local, pertence a uma família paquistanesa que emigrou para Inglaterra, tem um pai autoritário e tradicionalista que trabalha numa fábrica de automóveis, nunca se assimilou e quer que o filho vá para a universidade e, se não conseguir ser médico ou advogado, que seja pelo menos contabilista. Só que Javed sente-se plenamente inglês, quer sair de casa e de Luton o mais depressa possível, seguir o seu próprio caminho e escrever para ganhar a vida.» (Eurico de Barrros, Observador)


quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Ainda bem

Picasso - A morte de Casagemas, 1901
Paris, Museu Picasso

Ainda bem
que não morri de todas as vezes que
quis morrer – que não saltei da ponte,
nem enchi os pulsos de sangue, nem
me deitei à linha, lá longe.
Ainda bem
que não atei a corda à viga do teto, nem
comprei na farmácia, com receita fingida,
uma dose de sono eterno.
Ainda bem
que tive medo: das facas, das alturas, mas
sobretudo de não morrer completamente
e ficar para aí – ainda mais perdida do que
antes – a olhar sem ver.
Ainda bem
que o teto foi sempre demasiado alto e
eu ridiculamente pequena para a morte.
Se tivesse morrido de uma dessas vezes,
não ouviria agora a tua voz a chamar-me,
enquanto escrevo este poema, que pode
não parecer – mas é – um poema de amor.

Maria do Rosário Pedreira