quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Quatorze versos

Foto de Alexandre Delgado O'Neill

O primeiro é assim: fica de parte.
No segundo já posso prometer
que no terceiro vai haver mais arte.
Mas afinal não houve… Que fazer?

Melhor será calar, pois que dizer
nem no sexto conseguirei destarte.
Os acentos errados é favor não ver;
nem os versos errados, que também sei hacer…

Ó nono verso porque vais embora
sem que eu te sublime neste décimo?
Ao décimo-primeiro dediquei uma hora.

Errei-o. Mas que importa se a poesia,
mesmo que o não errasse, já não vinha?
É este o último e, como os outros, péssimo…

Alexandre O'Neill

domingo, 18 de agosto de 2019

Leituras - 104


Irene Bobs adora conduzir depressa. E o marido é o melhor vendedor de carros da zona rural do sudeste da Austrália. Acompanhados por Willie, o seu navegador, embarcam na prova Redex Trial, em 1954, uma dura corrida em volta do continente australiano, por estradas a que poucos carros sobrevivem. Longe de Casa é a nova história de Peter Carey, intensa e em alta-velocidade, recentemente publicada pela Sextante.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Fábula da fábula


Era uma vez
Uma fábula famosa,
Alimentícia
E moralizadora,
Que, em verso e prosa,
Toda a gente
Inteligente,
Prudente
E sabedora
Repetia
Aos filhos,
Aos netos
E aos bisnetos.
À base duns insectos,
De que não vale a pena fixar o nome,
A fábula garantia
Que quem cantava
Morria
De fome.
E realmente…
Simplesmente,
Enquanto a fábula contava,
Um demónio secreto segredava
Ao ouvido secreto
De cada criatura
Que quem não cantava
Morria de fartura.

Miguel Torga

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

domingo, 4 de agosto de 2019

Leituras - 103


"Southern California pop of the '70s... Glen Canpbell, Jimmy Webb, Burt Bacarach... it gave me sonething to hook an album around."
Bruce Springsteen



domingo, 28 de julho de 2019

À vossa!


Hoje vamos beber estas duas garrafas de Myrat, bem fresquinhas, com um peixinho grelhado.


Bom dia!

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Epigramas

59
A espera da morte é motivo de sofrimento,
mas dele, ao morrer, o homem se liberta.
Não chores, pois, o que deixou a vida:
não há sofrimento para além da morte.

65
Perigosa navegação é a vida. Nela balouçados,
sofremos às vezes mais duramente do que os náufragos.
Tendo como piloto da vida a Fortuna,
como no mar vogamos inseguros,
uns com vento de feição, outros contrário. Todos, porém,
nos dirigimos para um porto subterrâneo.

60
És rico; e depois? Quando, ao partir, te meterem no caixão,
levarás contigo a riqueza? Consumiste
o tempo a acumulá-la. Não poderás, todavia,
acumular mais dias de vida.

58
Vim nu à terra e nu irei para debaixo dela.
Porque me afadigo em vão, se o fim é a nudez?

Páladas de Alexandria
Tradução de Albano Martins
In Do mundo grego outro sol. Porto, Asa, 2001

sábado, 20 de julho de 2019

Leituras - 102




Terry Lennox parece estar finalmente a deixar para trás os dias de torpor alcoólico, quando a sua mulher milionária aparece morta. Obrigado a abandonar Los Angeles a toda a pressa, recorre àquele que sabe ser o seu único amigo: Philip Marlowe, detetive privado. Marlowe está decidido a ajudar um amigo em apuros, mas logo lhe chegam notícias de que Lennox se suicidara no México e tudo se torna ainda mais negro. Marlowe vê-se arrastado para um ambiente sórdido de ricos adúlteros e alcoólicos, que desfilam aos tombos pelo elegante e soalheiro Idle Valley de LA. Está convencido de que Lennox não matou a mulher, mas com quantos mais cadáveres terá de se deparar antes de descobrir a verdade? 
Publicado originalmente em 1953, O Imenso Adeus é considerado pela crítica o mais ambicioso romance de Raymond Chandler e aquele que mais inequivocamente dá provas de que o seu talento literário se estendia muito além da simples construção de um mistério policial. Um clássico obrigatório. (Sinopse.)