sábado, 20 de julho de 2019

Leituras - 102




Terry Lennox parece estar finalmente a deixar para trás os dias de torpor alcoólico, quando a sua mulher milionária aparece morta. Obrigado a abandonar Los Angeles a toda a pressa, recorre àquele que sabe ser o seu único amigo: Philip Marlowe, detetive privado. Marlowe está decidido a ajudar um amigo em apuros, mas logo lhe chegam notícias de que Lennox se suicidara no México e tudo se torna ainda mais negro. Marlowe vê-se arrastado para um ambiente sórdido de ricos adúlteros e alcoólicos, que desfilam aos tombos pelo elegante e soalheiro Idle Valley de LA. Está convencido de que Lennox não matou a mulher, mas com quantos mais cadáveres terá de se deparar antes de descobrir a verdade? 
Publicado originalmente em 1953, O Imenso Adeus é considerado pela crítica o mais ambicioso romance de Raymond Chandler e aquele que mais inequivocamente dá provas de que o seu talento literário se estendia muito além da simples construção de um mistério policial. Um clássico obrigatório. (Sinopse.)

domingo, 14 de julho de 2019

Que voz lunar


Que voz lunar insinua
o que não pode ter voz?

Que rosto entorna na noite
todo o azul da manhã?

Que beijo de oiro procura
uns lábios de brisa e água?

Que branca mão devagar
quebra os ramos do silêncio?

Eugénio de Andrade

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Leituras - 101


O último número da revista Uncut inclui uma reportagem sobre a produção do novo e ousado álbum do Bruce Springsteen, Western Stars. E vem acompanhada de um disco que vale a pena.

"He's planted down here withus. There's no snobbery."
Jimmy Webb


domingo, 30 de junho de 2019

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Verão - IX


O primeiro percurso da Linha do Elétrico de Sintra foi inaugurada a 30 de março de 1904. O total da linha era de 12km605m, e um bilhete de Sintra à Praia das Maçãs custava 200 réis. A ligação às Caves do Visconde Salreu ocorreu a pedido deste em 1924.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

No país dos sonhos

Às vezes, em sonho triste
Nos meus desejos existe
Longinquamente um país
Onde ser feliz consiste
Apenas em ser feliz.

Vive-se como se nasce
Sem o querer nem saber.
Nessa ilusão de viver
O tempo morre e renasce
Sem que o sintamos correr.

O sentir e o desejar
São banidos dessa terra.
O amor não é amor
Nesse país por onde erra
Meu longínquo divagar.

Nem se sonha nem se vive:
É uma infância sem fim.
Parece que se revive
Tão suave é viver assim
Nesse impossível jardim.

21-11-1909

Fernando Pessoa

quarta-feira, 15 de maio de 2019

O ano de 1969


1969 é o ano em que o homem pisa a Lua pela primeira vez.
A 10 de abril desse ano, a Biblioteca Nacional inaugura o seu novo edifício no Campo Grande.


É também o ano da crise académica de Coimbra, da realização do Segundo Congresso Republicano e das eleições legislativas, a que a oposição concorre.
Marcelo Caetano inicia, na RTP, as suas Conversas em família, através das quais pretende iniciar uma nova forma de comunicação com a população. Realiza viagens pelas colónias, onde a guerra continua e os movimentos a favor da independência dos territórios ultramarinos ganham força. Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, é assassinado.
Almada Negreiros cria o painel «Começar», para a Fundação Calouste Gulbenkian, cuja sede e museu abrem portas em Lisboa.
Em Portugal, saem do prelo, entre muitos outros, Os afluentes do silêncio, de Eugénio de Andrade; Peregrinatio ad loca infecta, de Jorge de Sena; História do teatro português, de Luciana Stegnano Picchio; A noite e o riso, de Nuno Bragança; Invocação ao meu corpo, de Vergílio Ferreira.
Jorge Segurado escreve sobre Francisco d’Ollanda; Alexandre O’Neill e Carlos de Oliveira publicam nos Cadernos de Poesia, da D. Quixote, continuando a sair, na mesma editora, os Cadernos de Cinema; e Manuel Silva Ramos estreia-se com Os três seios de Novélia. Estão em publicação o Dicionário de História de Portugal e as enciclopédias Focus e Verbo. A obra de Wenceslau de Moraes é traduzida para japonês e vários autores portugueses são traduzidos em França, Alemanha…
Na literatura infantil, destaque para Uma flor chamada Maria, de Alves Redol, A flor azul, de Ilse Losa, Figuras e figuronas, de Maria Alberta Menéres, e Histórias com juízo, de Mário Castrim, para além da tradução de alguns volumes da coleção Anita (Martine, no original).
O país tem 30 jornais diários.
Neste ano morrem, entre outros, os escritores António Sérgio, Alves Redol, José Régio, Manuel Mendes e Mário Sacramento, bem como o arquiteto Carlos Ramos.


Simone vence o Festival da Canção com Desfolhada. O Zip-Zip, o primeiro talk show da televisão em Portugal, apresentado por Carlos Cruz, Fialho Gouveia e Raul Solnado, estreia na RTP, dando a conhecer cantores como Francisco Fanhais e Manuel Freire. José Afonso edita Contos velhos, rumos novos e Amália Rodrigues canta na Rússia.

Final da Taça de Portugal. Estádio do Jamor.

No âmbito desportivo, o Benfica vence o campeonato e a Taça de Portugal (esta num memorável jogo contra a Académica), enquanto Joaquim Agostinho alcança o 8.º lugar na Volta a França.


sexta-feira, 3 de maio de 2019

O três de Maio de 1808


Goya - O três de Maio de 1808 em Madrid, 1814
Madrid, Museu do Prado

O quadro representa a repressão do acontecimento que se conhece como o levantamento de 3 de Maio, ocorrido em 1808, após Napoleão invadir a Espanha e a casa real seguir as suas ordens. A revolta estoira a 3 de Maio de 1808, quando uma parte do povo de Madrid tenta evitar a saída, ordenada pelos franceses, do infante Francisco de Paula de Bourbon para França.
A situação subiu de tom e as tropas francesas atiraram contra os madrilenos sublevados.
O comandante das forças francesas, Murat, decidiu reprimir duramente a revolta. Os madrilenos que foram encontrados com armas foram assassinados, à volta de 400 vítimas e 44 revolucionários foram fuzilados na noite de 2 a 3 de Maio na colina do Príncipe Pío, em Madrid. Este é o episódio que Goya mostra no seu quadro.